O QUE É A ROTA 76?
Os momentos mais marcantes do futebol, na maioria das vezes, se restringem dentro das quatro linhas do gramado: um belo gol, uma grande conquista de título, um jogo inesquecível. Sempre com os jogadores sendo os protagonistas da história. Porém, essa, também toma como personagem principal àqueles que ficam de fora do campo, sem poder de ação, mas com muita reação e emoção: os torcedores.
E foi isso que aconteceu naquele 5 de dezembro de 1976, ano em que mais de 70 mil corinthianos rumaram para o Rio de Janeiro, para acompanhar a semi-final do Campeonato Brasileiro de futebol daquele ano, entre Corinthians e Fluminense. A esperança, que fazia com que tal comoção acontecesse, era a de que o clube de São Paulo saísse da fila de 22 anos sem títulos, que o acompanhava quase que como uma sina.
O relato desses fanáticos torcedores, que de carro, ônibus, trem e até a pé, seguiram com fé e pregação ao estádio do Maracanã, formam a base para o livro-reportagem que pretendo produzir. Para isso, espero angariar o maior número possível de torcedores tanto de Corinthians quanto de Fluminense que presenciaram o jogo, para fazerem parte deste documento.
Com certeza, muitas histórias curiosas não faltarão, pois o enredo será acrescido com opiniões de jogadores, jornalistas, policiais, repórteres de campo e outros personagens que participaram desse fato, que marcou a história, não só de nosso futebol, como da sociedade da época.
Gostaria muito de poder contar com intensa participação daqueles que, não só gostam de lembrar os belos momentos de nosso futebol, mas também de registrá-los. Portanto, de você aí, do outro lado da telinha do computador, não teve a oportunidade de ter estado no “Maraca” em 76, no “jogo da Invasão”, que procure que esteve e o indique, para que ele conte sua história, sua visão. Assim, o torcedor não será, ao menos nesse livro-reportagem, apenas um espectador, coadjuvante, mas sim, o protagonista-mor. Participem. Aguardo por vocês!!!
Escrito por gustavrost às 20h46
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-> http://www.portacurtas.com.br/filme_abre_pop.asp?cod=1544&Exib=2573 <-
Escrito por gustavrost às 21h13
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A INVASÃO – POR NELSON RODRIGUES
1.Uma coisa é certa: não se improvisa uma vitória. Vocês entendem? Uma vitória tem que ser o lento trabalho das gerações. Até que, lá um dia, acontece a grande vitória. Ainda digo mais: já estava escrito há seis mil anos, que em um certo domingo, de 1976, teríamos um empate. Sim, quarenta dias antes do Paraíso estava decidida a batalha entre o Fluminense e o Corinthians.
2. Ninguém sabia, ninguém desconfiava. O jogo começou na véspera, quando a Fiel explodiu na cidade. Durante toda a madrugada, os fanáticos do timão faziam uma festa no Leme, em Copacabana, Leblon, Ipanema. E as bandeiras do Corinthians ventavam em procela. Ali, chegavam os corintianos, aos borbotões. Ônibus, aviação, carros particulares, táxis, a pé, a bicicleta.
3. A coisa era terrível. Nunca uma torcida invadiu outro estado, com tamanha euforia. Um turista que, por aqui passasse, havia de anotar no seu caderninho: "O Rio é uma cidade ocupada". Os corintianos passavam a toda hora e em toda parte.
4. Dizem os idiotas da objetividade que torcida não ganha jogo. Pois ganha. Na véspera da partida, a Fiel estava fazendo força em favor do seu time. Durmo tarde e tive ocasião de testemunhar a vigília da Fiel. Um amigo me perguntou: "E se o Corinthians perder?” O Fluminense era mais time. Portanto, estavam certos, e maravilhosamente certos os corintianos, quando faziam um prévio carnaval. Esse carnaval não parou. De manhã, acordei num clima paulista. Nas ruas, as pessoas não entendiam e até se assustavam. Expliquei tudo a uma senhora, gorda e patusca. Expliquei-lhe que o Tricolor era no final do Brasileiro, o único carioca.
5. Não cabe aqui falar em técnico. O que influi e decidiu o jogo foi a torcida. A torcida empurrou o time para o empate.
6. A torcida não parou de incitar. Vocês percebem? Houve um momento em que me senti estrangeiro na doce terra carioca. Os corintianos estavam tão certos de que ganhariam que apelaram para o já ganhou. Veio de São Paulo, a pé, um corintiano. Eu imaginava que a antecipação do carnaval ia potencializar o Corinthians. O Fluminense jogou mal? Não, não jogou mal. Teve sorte? Para o gol, nem o Fluminense, nem o Corinthians. Onde o Corinthians teve sorte foi na cobrança dos pênaltis. A partir dos pênaltis, a competição passa a ser um cara e coroa. O Fluminense perdeu três, não, dois pênaltis, e o Corinthians não perdeu nenhum. Eis regulamento de rara estupidez. Tem que se descobrir uma outra solução. A mais simples, e mais certa, é fazer um novo jogo. Imaginem que beleza se os dois partissem para outro jogo.
7. Futebol é futebol e não tem nada de futebol quando a vitória se vai decidir no puro azar. Ouvi ontem uma pergunta: "O que vai fazer agora o Fluminense?" Realmente, meu time não pode parar. O nosso próximo objetivo é o tricampeonato carioca. Vejam vocês:
- empatamos uma partida e realmente um empate não derruba o Fluminense. Francisco Horta já está tratando do tricampeonato. Estivemos juntos um momento. Perguntei: "E agora?" Disse - amanhã vou tomar as primeiras providências para o tricampeonato. Como eu, ele não estava deprimido. O bom guerreiro conhece tudo, menos a capitulação. Aprende-se com uma vitória, um empate, uma derrota. Só a ociosidade não ensina coisa nenhuma.
No seguinte jogo, vocês verão o Fluminense em seu máximo esplendor.
NELSON RODRIGUES era fluminense e publicou este texto no GLOBO em 6/12/76, dia seguinte ao Fluminense x Corinthians. |
Escrito por gustavrost às 21h10
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30 AN0S DA INVASÃO BÁRBARA Por Vanessa [Vã Malocca] - Redação fotolog.com/corinthians http://www.fotolog.com/vamalocca
Véspera do jogo, no rádio o locutor carioca comenta: "Os paulistas estão falando em invasão... Uns 20 ônibus vai ser muito". Francisco Horta, então presidente do Fluminense, manda 45 mil ingressos a Sampa esperando receber metade de volta. Os ingressos não só não retornam, como o Rio começa a presenciar a formação de imensas filas alvinegras nas bilheterias do Maracanã. Centenas de quartos de hotel e passagens aéreas reservados, mais de mil ônibus fretados, carros particulares, kombis, pessoas a pé, a Dutra estava tomada. Na capa dos jornais: Começou a Invasão.
Moisés, Zé Eduardo, Ademir, Zé Maria, Wladimir, Ruço, Basílio, Palhinha, Vaguinho, Geraldo e Romeu... Pedrinho, dona Zuma, Toninho, Zé Romão, Elias, minha vó Maria e mais de 70 mil corintianos há 30 anos escrevem alí, em terras estrangeiras, um dos "evangélios" de nossa "religião".
O maior deslocamento humano da história, 450 km em menos de 24h. O maior público de uma torcida visitante - só depois desta partida que se estabeleceram cotas de mandande e visitante, o maior rito em torno de um evento, de uma partida de futebol. Tudo isso que ficará para sempre marcado nas estatísticas da história mundial é a menor parte do significado daquele momento para nós, abençoados corintianos. A Invasão Corintiana é um dos símbolos da magia de ser um alvinegro do Parque São Jorge. Guarda em si todos os requintes de nossas tradições.
A Invasão, saravá, não foi o resultado de um crescente de êxitos numéricos. Ela ocorreu em pleno jejum, com nosso Timão há 22 anos sem títulos, na chamada fase do "faz-me-rir" quando ser corintiano já era "caso de internação". Mais uma demonstração de nossa inerente capacidade de fé sem cobrança contábil, a paixão latente, o deleite, o supremo prazer de ser curinthia. Alí foram sedimentados valores alvinegros que estão hoje imersos em nossas veias e alma. Presente ou não àquele momento, hoje todo corintiano traz consigo mais esse brado que reforça sua história de raça e tradição.
Aquela semi-final "em casa" não foi uma partida fácil, nosso adversário em campo, o tricolor das laranjeiras, ao contrário da vergonha atual, era a "máquina tricolor", o favorito absoluto. Contra tudo e contra todos, vai curinthia, o jogo foi um sofrido empate de 1x1. A gente "fez chover" lágrimas de carioca e assim, mais uma vez, nossa raça prevalecer. A "máquina" saiu na frente e um golzinho de meia "bicicreta" tortinha de Ruço nos levou aos penais, à classificação e à explosão.
A festa corintiana se estendeu à Paulicéia Desvairada, da Ruben Berta à Paulista. Forrada em preto-branco, Sampa abraça seus ídolos, engrossa o coro, se ergue em louros, lava a alma, faz jus à nação.
Escrito por gustavrost às 21h03
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A INVASÃO CORINTHIANA AO MARACANÃ

ESTE BLOG VISA REUNIR O MAIOR NÚMERO POSSÍVEL DE PESSOAS QUE PUDERAM PRESENCIAR OU QUE DESEJEM SABER UM POUCO MAIS DE UM DOS MAIORES ACONTECIMENTOS DA HISTÓRIA DO FUTEBOL BRASILEIRO: A INVASÃO DA TORCIDA CORINTHIANA AO MARACANÃ, NO DIA 5 DE DEZEMBRO DE 1976. QUEM ESTEVE LÁ, CONHECE ALGUÉM QUE ESTEVE, OU QUE TENHA MATERIAL SOBRE O JOGO (RECORTES DE JORNAL, REVISTAS, VÍDEOS...) SERÁ MUITO BEM-VINDO ÀO BLOG.
A HISTÓRIA DESSE JOGO, COM O RELATO DOS TORCEDORES, JORNALISTAS E JOGADORES CULMINARÁ NUM LIVRO-REPORTAGEM QUE ESTOU PRODUZINDO, A FIM DE SER LANÇADO DIA 5 DE DEZEMBRO DESTE ANO DE 2006, QUANDO SE COMPLETA 30 ANOS DO ACONTECIDO. PARTICIPEM! CORINTHIANOS E TRICOLORES (DO FLUMINENSE) E CURIOSOS DE PLANTÃO SERÃO MUITO BEM-VINDOS!!! ALÉM DE ACOMPANHAR A PRODUÇÃO DO LIVRO ATRAVÉS DO BLOG, NÃO DEIXE DE OPINAR, SUGERIR E CRITICAR....PARTICIPEM!!!
RESUMO
O dia 5 de dezembro de 1976 é, sem dúvidas, uma das datas mais lembradas e marcantes do futebol brasileiro. A ocasião marcou o que ficaria conhecido como a “Invasão Corinthiana”, em que mais de 70 mil torcedores do clube de Parque São Jorge praticamente dividiram o estádio do Maracanã, no Rio, com a torcida do Fluminense, na semi-final do Campeonato Brasileiro daquele ano. Tudo o que cercou essa disputa, o trajeto desses milhares de fiéis torcedores, o relato dos jogadores, a opinião de jornalistas e a visão dada pela mídia da época formam o enredo do livro-reportagem que pretendo produzir.
OBJETIVOS
Gerais: Pretendo produzir o livro, principalmente, através de relatos pessoais e documentos da época. Torcedores, jornalistas, repórteres de campo, narradores, jornais, revistas, e outros meios serão usados para se chegar à uma conclusão que defina, o mais próximo possível, como tudo aconteceu.
O trajeto realizado pela torcida corinthiana terá prioridade no enfoque, desde São Paulo até o Rio, suas dificuldades, o transtorno causado no trânsito, as implicações com a polícia (lembrando que no ano de 1976 vivíamos o auge da ditadura militar), sempre buscando personificar os fatos, ou seja, quanto mais relatos pessoais, mais dramaticidade, mais curiosidade e, por conseguinte, mais emoção.
O contexto político ao qual a partida estava inserida – um período de intensa ditadura militar – não poderá passar despercebida. Mesmo entendendo que política e esporte não devam ser misturados (pelo menos neste livro), entendo que tamanha locomoção de pessoas de um Estado à outro, causou certo desconforto nas autoridades da época. Até porque, anos depois, no início da década de 80, surgiria um dos maiores movimentos políticos dentro do esporte: a Democracia Corinthiana.
Escrito por gustavrost às 13h36
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